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Author: José Rui Lima Viana Junior Created: 26/11/2009 19:06
Repositório de mensagens de sabedoria

Tanzan e Ekido estavam uma vez viajando juntos por uma estrada lamacenta. Uma chuva forte caía persistentemente. Numa das curvas da estrada, eles encontraram uma moça adorável, vestida com um quimono de seda e com uma faixa, que não conseguia atravessar o cruzamento.

– Venha cá, menina; disse Tanzan imediatamente. Levantando-a em seus braços, ele carregou a moça através da lama.

Ekido não falou mais nada até aquela noite em que eles chegaram a um templo com pousada. Ele então não pôde mais se conter: ´Nós monges não nos aproximamos de mulheres`, disse ele a Tanzan, ´sobretudo das jovens e graciosas. É perigoso. Por que você fez aquilo?`

Eu deixei aquela menina lá; disse Tanzan.

Você ainda a está carregando?

Extraída do livro “Histórias Zen”, de Paul Rips

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  O sol e o vento discutiam sobre qual dos dois era mais forte.

O vento disse:

- Provarei que sou o mais forte.

Vê aquela mulher que vem lá embaixo com um lenço azul no pescoço?

Aposto como posso fazer com que ela tire o lenço mais depressa do que você.

O sol aceitou a aposta e recolheu-se atrás de uma nuvem.

O vento começou a soprar até quase se tornar um furacão, mas quanto mais ele soprava, mais a mulher segurava o lenço junto a si.

Finalmente, o vento acalmou-se e desistiu de soprar.

Logo após, o sol saiu de trás da nuvem e sorriu bondosamente para a mulher.

Imediatamente ela esfregou o rosto e tirou o lenço do pescoço.

O sol disse, então, ao vento:

- Lembre-se disso: "A gentileza e a amizade são mais fortes que a fúria e a força."

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  “Certa vez o Rei Milinda perguntou a Bhiksu Nagasena: “Seus olhos são na verdade você?”

Bhiksu Nagasena respondeu:
“Não!”
O Rei Milinda perguntou novamente: “E seus ouvidos?”
“Não!”
“E seu nariz é você?”
“Não!”
 
“Então significa que seu corpo é na realidade você?”
“Não, respondeu Nagasena, a existência do corpo é só uma combinação ilusória.”
“Então a mente deve ser real.”
“Também não é.”
O Rei Milinda aborreceu-se e perguntou novamente:
“Bem, se os olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e pensamentos não são você, então diga-me, onde está seu verdadeiro ego?
Bhiksu Nagasena sorriu e respondeu com uma pergunta:
“A janela é sua casa?”
O Rei fora surpreendido e lutou para responder:
“Não!”
“E a porta?
“Não!”
“Os tijolos e azulejos são a casa?”
“Não!”
 
“E a mobília e os pilares?”
“Não, claro que não!”
Bhiksu Nagasena sorriu e perguntou:
“Se a janela, a porta, os tijolos, os azulejos, a mobília e os pilares não são a casa, então onde está a casa real?
O Rei Milinda finalmente compreendeu que causa, condições e efeitos não podem ser separados, nem tão pouco compreendidos por uma visão pré-concebida e parcial.
Uma casa só pode ser construída a partir da existência de muitas condições.
Da mesma forma, a existência humana requer diversas condições.
Se conhecemos a lei da causa e efeito, se acreditamos na sua existência, plantaremos boas causas em vários lugares e cultivaremos condições vantajosas o tempo todo.
Com isso nossas vidas percorrerão um caminho homogêneo, repleto de sucesso.
Esse verso fala sobre isso:
“Se o indivíduo compreende
A lei da causa e efeito,
Será capaz de encontrar a primavera
Em meio da geada do outono e da neve do inverno.”

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  “A vida do ser humano é uma tentativa aleatória de tomada de decisão, de fluir com a exigência e a solicitação do nosso meio. Por isso o ato de viver, por si só, já é um milagre da Natureza, mas nas suas transformações e exuberância se não mergulharmos profundamente nela, ela se tornará tão fugidia como a cauda de um pavão”

Norg Fan Lian

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  "Se o caminho que te conduz à redenção é a virtude, a alegria, a verdade, é preciso que te aprofundes nelas para vencê-las, para ultrapassá-la. De outro modo não te salvarás. Não combateremos nossas paixões sombrias com virtudes tranqüilas, anêmicas, neutras, acima delas. E sim com paixões ainda mais violentas. Deixemos nossa porta aberta ao pecado. Não tampemos os ouvidos ao canto das Sereias. Que o medo não nos amarre ao mastro de uma grande idéia; tampouco devemos abandonar o navio para nos perder ouvindo e amando as Sereias. Em vez de prosseguir em nossa rota, cuidemos de agarrar as Sereias, atirá-las para dentro do nosso barco e viajar na companhia delas. Essa, companheiros, é a nossa nova Ascese! Ouve o teu coração e segue-o. Rompe o teu corpo e olha: Somos Todos Um! Ama o Homem porque és Tu Mesmo! Ama os animais e as plantas porque foram tu, e agora te acompanham como fiéis colaboradores e servos. Morre a cada dia. Nasce a cada dia. A Virtude Suprema não é ser livre, mas lutar pela Liberdade!" 

Nikos Kazantzákis

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   “Num tempo de guerra civil na Coréia, certo general avançava implacavelmente com suas tropas, tomando província após província e destroçando tudo e todos que encontrava pela frente. O povo de uma cidade, ao saber que o terrível general se aproximava, fugiu para as montanhas.

O general ao chegar a cidade vazia, ordenou que as tropas vasculhassem toda a região. E estas só encontraram um homem que permaneceu na cidade, um monge Zen.

O general dirigiu-se ao monge, levantou a espada e esbravejou:

“você não sabe quem eu sou? Sou aquele capaz de lhe perfurar com a espada sem piscar os olhos!”.

O mestre Zen respondeu serenamente:

“E eu sou aquele capaz de ser perfurado pela espada sem piscar os olhos.”

O general, ouvindo isso, curvou-se numa mesura e se retirou.

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 1) Ando pela rua

Há um buraco fundo na calçada
Eu caio

 

Estou perdido... sem esperança.
Não é culpa minha.
Leva uma eternidade para encontrar  a saída. 
2) Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçadaMas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim leva um tempão para sair.
3) Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada
Vejo que ele ali está
Ainda assim caio... é um hábito.
Meus olhos se abrem
Sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.
4) Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada
Dou a volta.
5) Ando por outra rua. 

Extraído de “O livro tibetano do viver e do morrer”, Sogyal Rinpoche.

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Certo dia num Mosteiro zen-budista, com a morte do guardião foi preciso encontrar um substituto. 

O grande Mestre convocou todos os discípulos para determinar quem seria o novo sentinela. O Mestre com muita tranqüilidade falou:
- Assumirá o posto, o primeiro monge que resolver o problema que vou apresentar.
Então ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala em que estavam reunidos e em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeita-lo e disse apenas:
- Aqui está o problema!
Todos Ficaram olhando a cena: o vaso belíssimo, de valor inestimável, com maravilhosa flor ao centro; o que representaria ? o que fazer ? qual o enigma ?
Neste instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e ZAPT, destruiu tudo, com um só golpe. E tão logo o discípulo retornou ao seu lugar, o Mestre disse que ele seria o novo guardião do Castelo.
...
Desta forma, aprendemos que não importa qual o problema. Nem que seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado. Um problema é um problema. Mesmo que se trate de uma mulher sensacional, um homem maravilhoso, ou um grande amor que se acabou. Por mais lindo que seja, ou que tenha sido, se não existir mais sentido para ele em sua vida, tem que ser suprimido.
Muitas pessoas carregam a vida inteira o peso de coisas que foram importantes no passado, mas que hoje somente ocupam um espaço inútil em seus corações e mentes. Espaço esse indispensável para recriar a vida.
Existe um provérbio oriental que diz: “ Para você beber vinho numa taça cheia de chá, é necessário primeiro jogar o chá fora, para então beber o vinho. Limpe a sua vida, comece pelas gavetas, armários, até chegar as pessoas do passado que não fazem mais sentido estar ocupando espaço em seu coração. O passado serve como lição, como experiência, como referência. Serve para ser lembrado e não revivido. Use as experiências do passado no presente, para construir seu futuro.”

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